Em nosso último artigo dissertamos brevemente sobre a metodologia ágil, criada por desenvolvedores cansados das regras engessadas e dos modelos rígidos de seus processos de trabalho. Agora vamos nos aprofundar um pouco mais nesse conceito e trazer o kanban, um outro método de desenvolvimento do agile.

O manifesto ágil foi escrito no início dos anos 2000, por 17 pessoas que se reuniram para discutir novos métodos de desenvolvimento de software. Dessa reunião e de outras que seguiram, foram estabelecidos os quatro valores e doze princípios do manifesto ágil que guiam a metodologia até hoje.

Quatro Valores do Manifesto Ágil

  • Indivíduos e interações mais que processos e ferramentas;
  • Software em funcionamento mais que documentação abrangente;
  • Colaboração com o cliente mais que negociação de contratos;
  • Responder a mudanças mais que seguir um plano.

Essas quatro premissas estabelecem o funcionamento do produto final como prioridade, focando na comunicação entre equipe e com o cliente, deixando o projeto sempre aberto a mudanças de rumo e desburocratizando o processo como um todo. Mesmo enxergando valor nos itens à direita, os itens à esquerda, destacados em negrito, devem ser mais valorizados.

Doze Princípios do Manifesto Ágil

  • Nossa maior prioridade é satisfazer o cliente, através da entrega adiantada e contínua de software com valor agregado.
  • Aceitar mudanças de requisitos, mesmo no fim do desenvolvimento. Processos ágeis se adequam a mudanças para que o cliente possa tirar vantagens competitivas.
  • Entregar frequentemente software funcionando, na escala de semanas até meses, com preferência aos períodos mais curtos.
  • Pessoas de negócios e desenvolvedores devem trabalhar em conjunto e diariamente, durante todo o curso do projeto.
  • Construir projetos ao redor de indivíduos motivados. Dando a eles o ambiente e suporte necessário, confiando neles para o trabalho.
  • O Método mais eficiente e eficaz de transmitir informações para e entre uma equipe de desenvolvimento, é através de uma conversa face a face.
  • Software funcionando é a medida primária de progresso.
  • Processos ágeis promovem um ambiente sustentável. Os patrocinadores, desenvolvedores e usuários devem ser capazes de manter um ritmo constante indefinidamente.
  • Contínua atenção à excelência técnica e bom design aumenta a agilidade.
  • Simplicidade: a arte de maximizar a quantidade de trabalho não realizado é essencial.
  • As melhores arquiteturas, requisitos e designs emergem de times auto organizáveis.
  • Em intervalos regulares, a equipe reflete em como se tornar mais eficiente, então refina e ajusta seu comportamento de acordo.

Após o lançamento do manifesto ágil, alguns de seus membros fundaram a Agile Alliance, uma organização que promove o conhecimento e discussões sobre os métodos ágeis. 

Um método que traz consigo muitos dos valores descritos acima é o Kanban, que vamos conhecer um pouco mais a partir de agora.

Desvendando o Kanban

A criação do modelo kanban remonta à metade do Século XX, como uma técnica de estoque desenvolvida pela japonesa Toyota, mas foi David J. Anderson que aperfeiçoou o modelo em 2004, em um projeto no departamento de TI da Microsoft. A palavra kanban em tradução literal significa “sinal” ou “sinalização”, afinal o kanban auxilia a controlar o progresso das tarefas de forma visual.

Sua forma mais simples e difundida é utilizando um quadro branco como suporte, dividido em 3 colunas (Fazer, Fazendo, Feito), onde papéis coloridos adesivados levam anotações sobre a tarefa proposta. Ao passo que a tarefa é finalizada, ela vai sendo puxada para o quadro da direita, até o que seja finalizada.

kanban_board

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Sua complexidade pode aumentar de acordo com o tamanho da equipe, organização e demandas, mas seu processo sempre funciona da mesma maneira. Muito utilizado para o desenvolvimento de softwares, inclusive em conjunto com o método Scrum, o kanban pode ser adaptado para qualquer área de uma empresa que possua demandas e processos para que sejam realizadas. É uma excelente forma de visualizar o fluxo de trabalho, o limite de atividades de cada membro da equipe e controlar o tempo do processo.

Para David J. Anderson o kanban possui seis práticas:

  • Visualizar o Fluxo de Trabalho (workflow)

Toda a equipe pode enxergar o fluxo de trabalho geral, podendo identificar erros, sugerir mudanças e colaborar mais com o projeto.

  •  Limitar o Trabalho em Andamento (wip)

O ritmo de trabalho é controlado, não comprometendo um membro com sobrecarga. 

Quando limites são estabelecidos para a quantidade de trabalho, os prazos de entrega melhoram e a qualidade do produto é maior.

  • Gerenciar o Fluxo

Ao analisar o fluxo de trabalho é possível descobrir onde o trabalho está emperrando e corrigir esses gargalos no projeto.

  • Explicitar as Políticas do Processo

Deixar as regras de funcionamento bem claras. Divulgar para toda a equipe como funcionarão os prazos e cobranças. Essas políticas devem ser poucas e simples, podendo ser modificadas a qualquer momento.

  • Implementar Loops de Feedback

Os loops de feedback são essenciais para minimizar riscos, alinhar expectativas e manter o processo eficiente.

  • Melhorar Continuamente

Um dos requisitos do Kanban é a melhoria constante. Se ela não acontece, o Kanban não está sendo utilizado da maneira correta.

Como vimos, o kanban, aliado à metodologia ágil, é prático, simples de aplicar e cheio de benefícios.

Benefícios do Kanban

  • Visão ampla do projeto
  • Redução de desperdício
  • Melhoria na comunicação da equipe
  • Entrega contínua
  • Otimização de tempo
  • Melhoria de desempenho do time
  • Eliminação de atividades sem valor
  • Melhoria no estabelecimento de prioridades

Esse é o Kanban, um meio para as organizações melhorarem seus processos e adotarem valores e princípios ágeis sem grandes mudanças culturais.

Aliás, é aliando metodologias ágeis com o Conectado que você terá o controle total de seus processos, gerenciando projetos de ponta a ponta. Se você é gestor de projetos, entre em contato conosco e saiba como o Conectado pode auxiliar.

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